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Próprio punho

Próprio punho

(fonte: http://30porcento.com.br/blog/preta-pele-preto-lugar-moro/) Minha mãe queixou-se que eu chorava dia e noite. Ele disse-lhe que o meu crânio não tinha espaço suficiente para alojar os miolos, que ficavam comprimidos, e eu sentia dor de cabeça. Explicou-lhe que, até os vinte anos, eu ia viver como se estivesse sonhando, que a minha vida ia ser atabalhoada. Ela vai adorar tudo que é belo! A tua filha é poetisa; pobre Sacramento, do teu seio sai uma poetisa. E sorriu. (Carolina Maria de Jesus) Carolina, dá-me a tua benção. É que não sou eu que preciso te dizer escritora, te comparar com o cânone ou justificar tua...

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Prece

Prece

(foto: Eadweard Muybridge)     “Santo Afonso Henriques! Fazei de mim uma escritora. Mas só isto. Nada de festivais, de júris em concursos (de beleza ou literários), de cargos em repartições chamadas culturais, de capelas, de frases de espírito. Livrai-me do fascínio que tantos dos nossos autores, hoje, têm pelo convívio com os ricos, pela adoção obrigatória de livros seus na área estudantil, pelas viagens com passagens e hotel pagos. Fazei-me orgulhosa da minha condição de pária e severa no meu obscuro trabalho de escrever.” ( de “A rainha dos cárceres da Grécia” de Osman Lins)  Que eu agarre a minha sorte com...

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Lesbos

Lesbos

Uma tradução livre do poema  Lesbos de Sylvia Plath:   (Fotografia de Paul Outerbridge)    Crueldade na cozinha! As batatas assobiam. Tudo isso é Hollywood, sem janelas, A luz fluorecente estremece acessa e apagada como uma enxaqueca, Pequenas tiras de papel para as portas Cortinas de palco, o frisado da viúva. E eu, amor, sou uma mentirosa doentia, E minha criança – olha o rosto dela voltado para o chão, Pequeno fantoche desatado, pulando até sumir Porque ela é esquizofrênica,   Tem a face vermelha e branca, o pânico, Tu prendeste seus gatos para fora da janela  Em uma espécie de roda de cimento Onde eles cagam, vomitam, choram e ela não ouve. Tu dizes não a suportar, Essa menina bastarda. Tu que sopraste...

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Toda pele que não minha

Toda pele que não minha

(Fotografia: Diane Arbus)   "A música me ama/ Ela me deixa fazê-la/ A música é uma estrela deitada na minha cama/ Ela me chega sem jeito/ Quase sem eu perceber/ Quando dou conta e vou ver /Ela já entrou no meu peito /Quando ela entra, a alma sai/ Fica o meu corpo sem vida/ Volta depois comovida/ E eu nunca soube aonde vai" (João Nogueira)   Eu escrevo é com o vazio do corpo. Com o espaço entre o dedo e a unha, com a reentrância do pescoço. Na órbita dos olho cabem os olhos de uma onça, pequenas flores brancas, ilhas que se movimentam lentamente, a lava de um vulcão prestes a irromper....

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Retrospectiva: Lady Lazarus

Retrospectiva: Lady Lazarus

(livre tradução de um poema de Sylvia Plath)   Eu fiz novamente Em um ano a cada dez Consigo----- Uma espécie de milagre andarilho, minha pele Luminoso como um abajur nazista, Meu pé direito Um peso para o papel Meu fino e inexpressivo Linho judeu Despele o guardanapo Oh meu inimigo. Eu aterrorizo? ------ O nariz, o poço dos olhos, o conjunto completo dos dentes? O alento azedo Sumirão em um dia. Breve, breve a carne Tragada pela cova estará Em casa em mim E sou uma mulher sorridente Tenho apenas trinta anos. E, como o gato, tenho nove chances de morrer.   Este é o Número Três. Que torpe é Aniquilar cada década Milhões de filamentos. A multidão ruminando amendoins Se enfia para ver Eles me despem mão...

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Promessas

Promessas

(fotografia de Kyle Thompson)   - Contornarei a solidez das coisas com a altivez de uma tontura. Desconfiarei dos espelhos polidos. Não desviarei os olhos daquilo que me assusta. Serei tragada pelas grandes alturas, os rostos enfurecidos, os lábios silentes de corpos que brilham. Dançarei no mormaço dos dias quentes quando já nem se respira. O sol me queimará sem bondade e o torpor será outro nome para a vontade de romper a pele na intensidade de qualquer espanto. O asfalto flutuará no delírio da quentura. Nessa hora, estarei com os dois pés fincados no chão. -  Darei as mãos aos espaços...

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Noturnas

Noturnas

  (fotografia: Jan Von Holleben)     É na quebrada que meu corpo insurge. Onde as ruas se cruzam, o repique do ritmo se faz constante, e o copo de vidro que carrego teso, entre as mãos, é uma fé. Aqui onde perco o centro, e me aproximo da margem pela pele, me misturo com tudo que é raso e treme.  A escuridão rente os ossos, a fome dos corpos roçando a borda das bocas, o grito de euforia e o suspiro da morte. É onde me perco que reluzo.   Corpo indigente a procura de uma correnteza seca que venha e me capture pela...

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Dentro

Dentro

  (foto: Hisaji Hara)   Arde a manhã seca nos meus braços. Feito incêndio que culmina súbito, sopro de um demônio oculto, um redemoinho de pele devastando a carne dentro. Há uma pressa nunca dita que anima o meu peito. O dia lento e meus olhos duvidando dessa calma. O chão gelado onde  meus pés pisam desmentindo o frio.  Tudo se move com misteriosa precisão, os rangeres anunciam a inquietude da matéria. A superfície do espelho quieto me congela. Fagulha sobre precipício, me debato rente ao nada. Não tomo nem um palmo de distância, olho enquanto roço nele, primeiro os joelhos, então...

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Carta de amor

Carta de amor

      Fotografia: Miguel Rio Branco     A órbita de dois corpos que se roçam, transladando pelo indecifrável, soltando os braços no vento, molhando os pés na água escura. O mistério nos circunda, nos apalpa. Costuro um beijo em tua pálpebra rasgada, refaço teu rosto aberto com uma música antiga que canto sem afinação. Eu vou me salvar de você. Do teu cárcere de imagens e gestos diabólicos. Da tua enorme fé. Da tua cadência de homem que sabe fazer amor depois da guerra. Desse teu mundo de espelhos mofados, reflexos turvos, onde meu retrato é uma mancha avermelhada feito a dor.  Teus...

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Bilhete para Adília L.

Bilhete para Adília L.

Adília Lopes      “Ah uma mão que me puxasse para o escuro”     Receita para fazer das tripas coração   Quem me dera ser um corpo solto no espaço, dançando vestida de incêndio, sem jeito  mas apetitosa feito uma mulher num quadro de Rubens (encrespada como se houvesse um naufrágio branco nas pernas). Em vez de tormentas, me sobram bolores que  organizo sobre a pele. Pratico vilanias e  banalidades encenadas . Durante o dia, transtorno catalogações bibliográficas, apenas os  números e os nomes me  importam, nenhuma relação de antemão. Nenhuma exegese nas estantes.  O papel é um pão para a alma, superfície imaculada, sem remendos.   É...

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Lady Lazarus

Lady Lazarus

(livre tradução de um poema de Sylvia Plath)             Eu fiz novamente Em um ano a cada dez Consigo-----     Uma espécie de milagre andarilho, minha pele Luminoso como um abajur nazista, Meu pé direito     Um peso para o papel Meu fino e inexpressivo Linho judeu     Despele o guardanapo Oh meu inimigo. Eu aterrorizo? ------     O nariz, o poço dos olhos, o conjunto completo dos dentes? O alento azedo Sumirão em um dia.     Breve, breve a carne Tragada pela cova estará Em casa em mim     E sou uma mulher sorridente Tenho apenas trinta anos. E, como o gato, tenho nove chances de morrer. Este é o Número Três. Que torpe é Aniquilar cada década     Milhões de filamentos. A multidão ruminando amendoins Se enfia...

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Aos que lutam

Aos que lutam

    (fonte: http://www.indios.org.br/en/povo/kulina/458)     Coloquem as mãos sobre o asfalto quente ou a fria pedra dos muros e abençoem a matéria impermeável com as suas lágrimas e seu suor. Deixem que o grande céu sobre as suas cabeças seja o aviso de que tudo é ilimitado e, ao mesmo tempo, tudo se esgota em todas as coisas. Do desmedido aprendam a alargar as praças com seus corpos, a bramir o grito até então incógnito pelas suas gargantas, a unir corporeidades díspares e marchar não para o sentido idêntico, mas com a mesma resolução dos que conquistam o próprio passo. Do ilimitado, ainda, aprendam a...

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Vida Forma

Vida Forma

  Frantisek Drtikol - A Onda - 1925     “Os fogos dos astros e a aurora boreal estremecem no que é, apesar de tudo, a noite negra.”  (Marguerite Yourcenar)   Afirmativa sem reservas: amar contra toda a exceção. Era noite e andávamos, eu tropeçava nos teus pés, caíamos com a barriga rente à terra. E de tudo sobrava um riso, uma espécie de loucura. Depois eram teus dedos que me abraçavam, eu dançava com as tuas mãos. Uma lenta e corrompida valsa com teu indicador, um tango triste com o anelar e um samba sem reparos com o dedo menor. Teus olhos me acompanhavam mudos enquanto...

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A direção dos olhos

A direção dos olhos

(livremente inspirado nas fotografias que Nobuyoshi Araki fez de Yoko, sua esposa)           Minhas mãos tateiam o gesto que reteria esse instante e esbarram em tua pele. Então transfiguro teu corpo estendido em um quadro, em uma imagem nomeável. Mas não há som em língua qualquer que possa te circunscrever: teu nome é teu corpo grandioso entre as feras.   Gosto de te olhar enquanto tens os olhos fechados ou o rosto voltado para outra direção. Só assim te prendo.  Tua matéria não resiste à solidez. Tens a escuridão marcada no peito e a alegria cravada nos olhos. Nenhuma paisagem será mais...

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Ao homem

Ao homem

  Entrega tua arbórea ascendência pela consciência dos bichos que não sabem. Esse esquecimento será teu berço. Cria parentesco com os nós, a terra escura, o mármore e os novilhos. Tua roupa não te serve. Despe. Experimenta andar sentindo na pele o rumor de todas as fugas. Repara o que há de urgente nos corpos. E então te transmito esse dom: eis que não serás remédio de nada. Vagarás pelo tempo, supérfluo, ungido pela tua própria errância. Apenas quando souberes ser insuficiente, poderás transitar entre os corpos livres. Em liberdade, o que quer dizer, falhando, teus ímpetos te ultrapassarão, tua...

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O sol embaralhado nos seus cílios

O sol embaralhado nos seus cílios

  Foto originalmente publicada em www.ambrosia.com     (monólogo imaginário de Roberto Piva para a escrita)   Vou te explicar a anatomia das ruas e a das tuas pernas.   Caímos sem querer nesse arremesso e aqui estamos experimentando insustentáveis ares. Crias uma órbita em torno da tua dança. Os pés rentes ao chão sujo dessa rua antiga que pisas com veemência de amante. Mas tua boca dança antes e melhor que tu, falando sem saber do que falar, congelada de repente de espanto e depois os lábios lassos por provar da cidade e de seus esgotamentos.   Me apontas a uma constelação de pedregulhos, esse...

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Notas da carne em fúria

Notas da carne em fúria

  Notas de leitura de A Fúria do Corpo de João Gilberto Noll    – Sou todas as mulheres que já amaram. Sou Afrodite, Greta, Helena, Catarina,  sou meu corpo contigo, a esperança de romper o hímen da pessoa que é tu, vem e te espanta com meu outro. Pega na minha xota, investiga, incendeia, reclama do alheio!   - Sabe que eu te amo e o mundo tá morrendo à míngua?   Ela se levantou e tinha o rosto suado, duas placas de dormência.   - Sabe amor?   Eu apenas ouvia. Não queria compromisso com nenhuma resposta.   - Sabe que nós dois não comemos há dois dias...

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Carta aberta e ultramarina a Adélia Prad…

Carta aberta e ultramarina a Adélia Prado.

    Carta aberta e ultramarina a Adélia Prado.     De que modo vou abrir a janela, se não for doida? Como a fecharei, se não for santa?   Adélia, permutadora de Reinos, Falas do sacolejo intermitente dos navios, que é como os quadris dos sedutores, esses que tu tens em teus altares. E é do seio do mar que te escrevo, justo agora quando chove sem o intermédio da terra, água que vai direto do céu para seu berço de sal. Aproveito agora porque não demora o sol volta e me queima.  Minha pele  desconhece o conforto de um tempo manso, está sempre  trêmula...

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Arquipélagos e Muambas

Arquipélagos e Muambas

    "Compelimos todo mar e toda a Terra a dar passagem à nossa audácia, e em toda parte plantamos monumentos imorredouros dos males e dos bens que fizemos" Tucídede, A Guerra do Peloponeso, II, 41   Assim começa o livro "arquipélagos e muambas", de José Barreto Trindade, heteronômio de Sérgio Sant'Ana Ortiz, que foi lançado na última sexta-feira no espaço da editora Multifoco na Lapa, Rio de Janeiro. Arquipélagos e Muambas é o segundo Tomo de uma epopéia de poesias experimentais intituladas Os Cinco Delirantes. O Livro se divide em duas partes, a primeira, chamada Das Paixões, e a segunda XXV Subterrâneos. Este livro segue a mesma linha que...

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Nota sobre o marginal em García Lorca

Nota sobre o marginal em García Lorca

    “Pelo oliveiral vinham, / bronze e sonho, os ciganos. / As cabeças levantadas e os olhos semicerrados.” – Federico García Lorca.  Federico García Lorca foi um dos maiores escritores de seu tempo, nasceu em cinco de junho de 1898, em Fuente Vaqueros, período em que seu país ensaiava grandezas nas artes e nas letras. Ainda menino, García Lorca revelara-se um promissor escritor, tendo publicado seu primeiro livro só mais tarde, em 1921, sob o título Libro de Poemas. Nascido em Andaluzia, pôs-se a descrever as paisagens dessa região, o que viria a corroborar uma grande análise dos modos de vida...

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Sayat Nova: Uma canção de amor

Sayat Nova: Uma canção de amor

  Sua Biografia Sayat Nova (1712-1795) foi um poeta, músico e ashik¹ armênio. Seu nome verdadeiro é Harutyun Sayatyan, a denominação mais conhecida foi adotada posteriormente pelo poeta – o nome “Sayat Nova” em persa significa “Mestre das Canções”. Seus escritos e composições envolviam diversas línguas, tendo escrito na língua armênia, georgiana, turca e persa. É por muitos considerado o maior cantor e compositor que já viveu no Cáucaso. Ainda jovem Sayat Nova se destacara por sua aptidão no manuseio dos instrumentos musicais regionais, como o kamancheh, chonguri e tambur, se apresentando diversas vezes para a aristocracia de seu país. Mesmo assim,...

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Corso, o mito da Geração Beat

Corso, o mito da Geração Beat

Por Lucas Bertolo Gregory Nunzio Corso (1930 – 2001) foi um poeta norte-americano, membro fundamental da geração beat, ao lado de Jack Kerouac, Allen Ginsberg e William Burroughs. Conheceu a literatura na biblioteca da prisão em que foi encarcerado, pela segunda vez, em Dannemora, por arrombamento. Um de seus primeiros escritos, Bomb, de 1958, com seu arranjo pictórico em formato de bomba e tom ambivalente, possui a célebre frase: Ó Bomba, eu te amo. Bob Dylan chegou a afirmar que, após a leitura de Gasolina, sua mente se abriu para novas possibilidades de experiência com a palavra escrita. Jack Kerouac...

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Grodek, Georg Trakl

Grodek, Georg Trakl

  Sunset At The Forest Senonches - Maurice de Vlaminck   Georg Trakl, expoente da poesia expressionista austríaca do início do século XX, nasceu em Salzburgo, em 3 de fevereiro de 1887, suicidando-se, em uma overdose de cocaína, em 3 de novembro de 1914, em Cracóvia. Estudos afirmam que, já durante a adolescência, Trakl consumia ópio, clorofórmio, veronal e cocaína. Em As Marcas do Real, Modesto Carone escreve que em sua poesia se reconhece a experiência do drogado: o texto alimenta-se de um cortejo de imagens intensamente coloridas onde deslizam barcas e papoulas. Sua primeira tentativa de suicídio ocorreu durante a chacina de...

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A filosofia do poema sujo

Poema Sujo, de Ferreira Gullar   Tentei, apenas com paixão, escrever um pouco das ideias que me vinham quando lia o poema sujo de Gullar ao mesmo tempo que lia o Zaratustra de Nietzsche. Este foi parte pequena de um trabalho para a academia, mas sem nenhum rigor acadêmico e por isso o apresento assim, cru, como o cu de uma moça. Espero que gostem.

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Epitáfio para um mau soldado, de Jim Mor…

Epitáfio para um mau soldado, de Jim Morrison

Versos de Jim Morrison   Epitáfio Para um mau soldado Piscina quente e bêbada Onde está Marrakesh Abaixo das quedas A tempestade selvagem Onde selvagens caíram No fim da tarde Monstros do ritmo Você deixou seu Nada Para competir com Silêncio Espero que você saia Sorrindo Dentro do resto frio De um sonho Escrito por James Douglas Morrison Tradução de Lucas Bertolo Foto de Lucas Bertolo tirada de Jim Morrison's Scrapbook

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Vislumbres

Vislumbres

  INas plantações, minhas mãos tocam o centeioceifando as folhas de cobre                                e as ilusões                        que se arrastam nesse solo seco                         nesse céu de poucas nuvens                        nos cursos dos riose desaparecem aos meus olhos ingênuos                 meus olhos que são ametistas              ...

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A caneta do poeta _ Um breve relato

A caneta do poeta _ Um breve relato

 Eu entendo os "velhos" poetas e os amo e os acho lindos, mas vivo agarrada ao meu netbook, escrever com ele ficou mais cômodo, mais rápido. Eu sei que os "velhos" poetas condenam isso, querem sentir o cheiro da folha e da tinta da caneta, eu não, eu prefiro a agilidade dos teclados, eles acompanham com mais precisão meu pensamento. Já não procuro mais os cadernos de arames na papelaria, tenho dois computadores e penso em obter pelo menos mais um. Quando viajo fico pensando em que lugar vai estar o computador, não posso ficar sem escrever e me...

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Autofagia

Autofagia

  I Minha mente mergulhou na escuridão de uma fábrica.   Todas essas lâmpadas, celestes, consumindo-se: meus neurônios. Pulsações de um magnetismo cósmico, insuportáveis fissuras cerebrais.   A dissolução do hipocampo suscitando no completo esvaziamento do consciente.    II   E esses são meus versos vazios:   Cenas de possessão nos hotéis abandonados,  obscenidades nasciam no encontro dos olhares.   Sintetizaram os fluídos, néctar produzido na putrescência da noite, e banharam os neófitos.   Éramos dois garotos insones, existíamos enquanto alucinávamos.   Dois jovens, compulsivos poéticos, convulsivos doentes, na iminência do esquecimento.   Iluminados por essa embriaguez prateada, de mercúrio, e sentimos todas as cores das romãs expressas em odores perdidos.    Salamandras surgiam das fumaças dos narguilés,  as ilusões destiladas & vírus de safira nas pétalas dos narcisos invisíveis.   III   Emanação de ódio:...

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Eu disse: Vou ver o mar, levar flores para Yemanjá.Ele disse: Cuidado pra Yemanjá não te levar, pode te confundir com uma das flores.Depois, ele me mandou uma música e disse que eu era o tão esperado sol de primavera que o aquecia depois do frio inverno. Achei brega , e amei.

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