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Crítica: Capitães da Areia

 

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FESTIVAL DO RIO 2011

Por Rudá Lemos

Quem costuma virar o nariz para adaptações de clássicos literários, pode ficar tranquilo: Capitães da Areia está entre as exceções. De maneira impressionantemente rara, o filme consegue captar a alma do livro de Jorge Amado e traduzir em matéria todo aquele rico universo. A adaptação registrou de maneira sublime a história dos meninos de rua de Salvador tentando se virar na extrema pobreza em que vivem. Está lá, em imagens, o que sempre me agradou no livro: o olhar não paternalista que considera as crianças como seres tão violentos e sensuais como os adultos, ao mesmo tempo que não cede à visão de direita preconceituosa que tira deles toda sua humanidade, mantendo-os na total marginalidade.

Além disso, há muito mais que se impressionar: o jovem elenco magistralmente escolhido e repleto de nomes para acompanhar como Jean Luis Amorim, Ana Graciela, Roberio Lima e Israel Gouvea (interpretando, respectivamente, Pedro Bala, Dora, Professor e Sem Pernas); a impecável reconstrução de época da Bahia antiga; e a fotografia de encher os olhos. É possível que se reclame da excessiva edição com cenas religiosas e poéticas, mas uma vez encantado e imerso pelo filme, fica difícil resistir emocionalmente, o jeito é se entregar.

Talvez o que explique tamanha identificação e respeito com a obra original, seja o fato que a direção esteja com Cecília Amado, neta do autor baiano, em parceria com Guy Gonçalves. Me faz imaginar como seria a reação de Jorge Amado ao assistir essa tremenda homenagem ao seu centenário.

 

CAPITÃES DA AREIA (Idem, Brasil, 2011) Direção: Cecília Amado, Guy Gonçalves Roteiro: Cecília Amado, Hilton Lacerda Elenco: Jean Luis Amorim, Ana Graciela, Roberio Lima, Israel GouveaDuração: 96 min Distribuição: Imagem Filmes